Castro era um cara qualquer, funcionário de baixa hierarquia em uma empresa de seguros automobilísticos. Era um homem comum, como o Jão, como o José, como Sebastião Aerosa…
Todo dia acordava cedo, comia sua torradinha feita na torradeira e o suquinho feito no “Djúicer Valita” (comprado em 24 prestações na “POLEshop”), pegava a chave do seu Uno Mille e guiava até o trabalho. Trabalhava, trabalhava, trabalhava, acessava clandestinamente o Quibe Louco (sem link porque ele não linka!), trabalhava mais, trabalhava ainda mais e trabalhava mais um cadim e voltava para seu “apê”, novamente à bordo de seu possante. Chegava, falava com o porteiro através do interfone, o porteiro abria o portão elétrico e Castro entrava e estacionava sua máquina. Subia de elevador até o 17º andar, passava a chave na fechadura e entrava. Beijava sua esposa e ia para a cozinha. Pegava a comida no congelador e botava no microondas nos habituais 45 segundos. Depois de comer, assistia a novela das 8. Depois da novela, fazia barba com seu barbeador elétrico (comprado nas “Casas Baía”) antes de tomar seu banho no chuveiro elétrico.
Num dia em particular, acordou mais tarde do que o habitual (apesar de não ser fim de semana ou feriado), olhou para frente e viu que o rádio-relógio estava apagado. “Maldito dia para essa porcaria quebrar!” esbravejou à sua mulher. Foi escovar os dentes gritando “Não vou tomar café! Nem prepare”. Escovou os dentes na pressa, o que resultou num servicinho tão malfeito que parecia que havia sido executado com o dedo. Foi se trocar. Tentou acender a luz, mas a porcaria não acendia. Abriu a janela e, de acordo com a posição da estrela que nos ilumina (popularmente conhecida por “Sol” ou “estrelinha amarela”), percebeu que era mais ou menos meio dia.
“M*RDA DE RÁDIO-RELÓGIO! ME F*DEU!”
Saiu do apartamento e foi pegar o elevador. Apertou o botão freneticamente por um bom tempo, até perceber que aquilo seria tão eficaz quanto tentar matar leões com um talher de aniversário. Chutou a porta de maneira que daria inveja ao Steven Seagal* e desceu rapidamente as escadas. Entrou no seu poderoso Uno Mille e foi desesperadamente em direção ao portão. Quase teve um ataque cardíaco quando percebeu que a “porteira elétrica” estava parada. Empolgado com o momento Vin Diesel nas escadas, resolveu unir forças com sua viatura civil e levar o obstáculo “no peito”.
Evidentemente, seu rodante não agüentou o impacto contra o estorvo de metal e deu perda total. Castro, perplexo e arrasado, tentou correr em direção ao escritório. Ficou a um fio de ter um infarto quando percebeu que havia uma confusão extrema na rua. Perguntou a um senhor de chapéu engraçado o que estava havendo. O indivíduo lhe respondeu que havia dado uma pane geral na energia e que até mesmo os geradores da cidade haviam dado problema. Conseqüentemente o famoso congestionamento paulistano ficou ainda maior, pois os semáforos estavam desligados e o índice de acidentes aumentou demais, o que ainda gerou a famigerada rodinha de curiosos que encheu até as calçadas, que também já são costumeiramente engarrafadas.
Decidiu que não lhe restava alternativa fora ficar em casa. Subiu as escadas até o décimo sétimo, e chegou quase morto. Esqueceu-se do problema e tentou ligar a TV. “Droga, a energia acabou mesmo. Bem, pelo menos descobri que o rádio-relógio não quebrou…”.
Tentou ligar para alguém para pedir dicas de sobrevivência em dias sem energia, mas percebeu que nem o telefone funcionava. Devia ter sido problema de poste podre.
Foi ler o jornal, mas o mesmo nem havia sido entregue.
Depois de ter certeza absoluta de que nada iria funcionar, foi comer um pãozinho. Puro, porque a manteiga estava quente e nojenta. Tomou água natural, pois a cerveja estava quente. Não podia nem pensar no feijão, já que o microondas não iria funcionar.
Nisso, começou a pensar em como as máquinas desempenham uma função primordial para o ser humano.
* Queríamos colocar “de dar inveja a Chuck Norris”, porém isso resultaria em fim de texto por morte instantânea de protagonista. Além disso, damos valor à nossa própria vida.
Por Lucas e Gabriel.




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