Um dia quase comum

Sem categoria 8 Ociosos Comentaram »

Castro era um cara qualquer, funcionário de baixa hierarquia em uma empresa de seguros automobilísticos. Era um homem comum, como o Jão, como o José, como Sebastião Aerosa

Todo dia acordava cedo, comia sua torradinha feita na torradeira e o suquinho feito no “Djúicer Valita” (comprado em 24 prestações na “POLEshop”), pegava a chave do seu Uno Mille e guiava até o trabalho. Trabalhava, trabalhava, trabalhava, acessava clandestinamente o Quibe Louco (sem link porque ele não linka!), trabalhava mais, trabalhava ainda mais e trabalhava mais um cadim e voltava para seu “apê”, novamente à bordo de seu possante. Chegava, falava com o porteiro através do interfone, o porteiro abria o portão elétrico e Castro entrava e estacionava sua máquina. Subia de elevador até o 17º andar, passava a chave na fechadura e entrava. Beijava sua esposa e ia para a cozinha. Pegava a comida no congelador e botava no microondas nos habituais 45 segundos. Depois de comer, assistia a novela das 8. Depois da novela, fazia barba com seu barbeador elétrico (comprado nas “Casas Baía”) antes de tomar seu banho no chuveiro elétrico.

Num dia em particular, acordou mais tarde do que o habitual (apesar de não ser fim de semana ou feriado), olhou para frente e viu que o rádio-relógio estava apagado. “Maldito dia para essa porcaria quebrar!” esbravejou à sua mulher. Foi escovar os dentes gritando “Não vou tomar café! Nem prepare”. Escovou os dentes na pressa, o que resultou num servicinho tão malfeito que parecia que havia sido executado com o dedo. Foi se trocar. Tentou acender a luz, mas a porcaria não acendia. Abriu a janela e, de acordo com a posição da estrela que nos ilumina (popularmente conhecida por “Sol” ou “estrelinha amarela”), percebeu que era mais ou menos meio dia.

“M*RDA DE RÁDIO-RELÓGIO! ME F*DEU!”

Saiu do apartamento e foi pegar o elevador. Apertou o botão freneticamente por um bom tempo, até perceber que aquilo seria tão eficaz quanto tentar matar leões com um talher de aniversário. Chutou a porta de maneira que daria inveja ao Steven Seagal* e desceu rapidamente as escadas. Entrou no seu poderoso Uno Mille e foi desesperadamente em direção ao portão. Quase teve um ataque cardíaco quando percebeu que a “porteira elétrica” estava parada. Empolgado com o momento Vin Diesel nas escadas, resolveu unir forças com sua viatura civil e levar o obstáculo “no peito”.

Evidentemente, seu rodante não agüentou o impacto contra o estorvo de metal e deu perda total. Castro, perplexo e arrasado, tentou correr em direção ao escritório. Ficou a um fio de ter um infarto quando percebeu que havia uma confusão extrema na rua. Perguntou a um senhor de chapéu engraçado o que estava havendo. O indivíduo lhe respondeu que havia dado uma pane geral na energia e que até mesmo os geradores da cidade haviam dado problema. Conseqüentemente o famoso congestionamento paulistano ficou ainda maior, pois os semáforos estavam desligados e o índice de acidentes aumentou demais, o que ainda gerou a famigerada rodinha de curiosos que encheu até as calçadas, que também já são costumeiramente engarrafadas.

Decidiu que não lhe restava alternativa fora ficar em casa. Subiu as escadas até o décimo sétimo, e chegou quase morto. Esqueceu-se do problema e tentou ligar a TV. “Droga, a energia acabou mesmo. Bem, pelo menos descobri que o rádio-relógio não quebrou…”.

Tentou ligar para alguém para pedir dicas de sobrevivência em dias sem energia, mas percebeu que nem o telefone funcionava. Devia ter sido problema de poste podre.

Foi ler o jornal, mas o mesmo nem havia sido entregue.

Depois de ter certeza absoluta de que nada iria funcionar, foi comer um pãozinho. Puro, porque a manteiga estava quente e nojenta. Tomou água natural, pois a cerveja estava quente. Não podia nem pensar no feijão, já que o microondas não iria funcionar.

Nisso, começou a pensar em como as máquinas desempenham uma função primordial para o ser humano.

Cortesia de Clara Gomes

* Queríamos colocar “de dar inveja a Chuck Norris”, porém isso resultaria em fim de texto por morte instantânea de protagonista. Além disso, damos valor à nossa própria vida.

Por Lucas e Gabriel.

A sua inveja (des)faz o meu sucesso

Outros 2 Ociosos Comentaram »

É um dos pecados capitais. Acerca do tema criaram-se provérbios, fábulas, histórias. A crença em seus males datam de longos períodos, nossos avós já nos alertavam sobre a sua existência e seus malefícios.

Embora muitos não lhe dêem credibilidade, a inveja existe! É, caro leitor, ainda que negue, o brilho pessoal incomoda sim! Há pessoas que simplesmente não suportam o sucesso alheio, mesmo nada fazendo para conseguir o êxito particular.

O sentimento de inveja é algo tão pernicioso que distorce a visão da realidade e devasta relações. E não me venha com o discurso “chulé” de inveja boa. Olho gordo é olho gordo, não há ilusão sobre isso!

Entre 1306 e 1309, o pintor florentino Giotto executou nas paredes da capela Scrovegni uma série de afrescos denominados “Vícios e virtudes”. A representação da inveja não poderia ter sido melhor: uma pessoa que da boca sai uma serpente ao mesmo tempo que o corpo é consumido por chamas. Inveja boa? Ah… Inventaram essa em 1º de Abril?

O filme Amadeus (1984), de Milos Forman, conta a história do compositor Wolfgang Amadeus Mozart, cujo talento incomum despertou a inveja de um dos maiores compositores da época que, tomado por esse danoso sentimento , tramou a morte dele. Ou seja, a inveja provoca tragédias.

No quotidiano, velórios são poupados, mas que a corrosão da alma de uma pessoa prejudica, e muito, uma outra, disso ninguém duvida. Há quem inveje o o outro pela posse de bens materiais; há quem se sinta ofuscado pela beleza física ou simpatia do outro; há quem se sinta inferiorizado pela desenvoltura comunicativa ou pela capacidade cognitiva do próximo… Motivos são tantos, mas todos infundados.

Existe a popular historinha do vaga-lume, que incomoda o outro pelo bnrilho que possui… É assim, nosso brilho ofusca sobremaneira a visão do outro que passamos a ser alvo de ataques pelo simples fato de o invejoso não conseguir ser como a gente!

Patuás, pé-de-coelho, olho-de-cabra, óleo benzido, fitinha vermelha, sal grosso, já inventaram de tudo para nossa “proteção”.

Alguém, porfavor, invente uns óculos que neutralizem efeito tão nocivo ou, então, cada vez mais teremos que proferir o mantra protetor “na frente dos seus, os olhos de Deus”!

Por Andréa.

Deixe a arte incomodá-lo

Outros 19 Ociosos Comentaram »

Acha-se que arte é supremo sinônimo de entretenimento, de satisfação pessoal e de “coisa para se fazer quando não há nada melhor para”. Além disso, ela deve, acima de tudo, ser distração numa vida cheia de preocupações e incômodos. Pois digo o contrário: a arte pode e deve incomodar as pessoas, instigar pensamentos antes não explorados, abrir novos horizontes e idéias. A arte deve ser assim como o libertino Manuel Bandeira denominou-a: uma nódoa de lama no brim alvo da sociedade.

É nessa nódoa, da qual o poeta sórdido falava, que está a verdadeira razão da arte. Quando a arte passa a ter o papel de renovadora de opiniões, ela faz as pessoas terem um pouco mais de senso crítico, mesmo que elas não queiram. Quando se lê um texto bem escrito ou quando se vê um filme sensacional, do ponto de vista crítico, logo se vêem mudanças de opiniões nos interlocutores. É pra isso, principalmente, que a arte existe: mostrar, de variadas e ímpias formas, as várias inquietações e pensamentos de um tempo para análise em outro, o que acaba aumentando o campo cultural deste.

Claro que a arte pode e deve ser a Monalisa, uma poesia parnasiana ou até uma música de Funk. Essas manifestações culturais são resultados de um núcleo social específico, o que retoma a idéia da arte como manifestação da inquietação. Por isso, várias artes tidas como inúteis, ou até vulgares, devem, sim, serem respeitadas por fazerem parte de um cotidiano próprio de determinada sociedade. Elas, por serem estranhas/vulgares ou refletirem pura beleza, também incomodam e contribuem para um engrandecimento do intelecto pois fizeram parte de um contexto histórico, o que ajuda a entender todo um enredo cultural (acredite: não só de modernismo viveu a literatura brasileira).

Não faço apologias à chatice. Faço apologia à intelectualidade. Quero que ao mesmo tempo em que você se divirta ou se enoje ouvindo um Funk, pense no por quê do Funk ser assim e no contexto social em que ele se enquadra.Também leia um livro, mas principalmente saboreie-o, pois o autor com certeza foi influenciado por vários fatores, que podem ser interessantes ou não. Deixe que os pouco interessantes o incomodem: faz bem à saúde. Abocanhe os interessantes e divirta-se, pois a arte também é o orvalho da menininhas: e elas a querem assim mesmo.

Por Luís.

Fantoches da própria criação

Outros 20 Ociosos Comentaram »

O mundo ainda não percebeu o que Chaplin percebeu há muito tempo atrás, quando a evolução industrial estava começando e as máquinas nem eram tão avançadas como atualmente, as máquinas estão nos dominando, estão tomando o lugar das pessoas. Estamos cada vez mais nos tornando dependentes desse mal que parece estar se tornando “necessário” para o homem moderno.

Enfim, o trabalho do homem vem diminuindo de forma considerável comparado ao das máquinas através dos anos. As máquinas fazem tudo, e o homem “opera-as”. O trabalho do homem, acaba tornando-se monótono, cansativo… Os movimentos acabam sendo “automáticos”, “mecânicos”.

Antes de acordar, já dependemos das máquinas. Se está calor, precisamos de um ventilador e em casos mais extremos ar condicionado. Para acordar, os serviços do despertador são indispensáveis (com exceção uma minoria). Então vamos ao banheiro, para lavar o rosto, escovar os dentes, barbear-se (no caso das mulheres… Chapinha, secador de cabelo). Algumas pessoas usam escovas elétricas; Para barbear, muitos utilizam barbeadores também elétricos, ou seja, acordamos e já somos expostos a miliuma máquinas. Dependentes ou não?

Finalmente vamos à cozinha, para deliciar-se de um maravilhoso café da manhã. Torradas feitas na torradeira, vitamina de banana com mamão no liquidificador e é claro que podemos tomar um copo de leite; Aliás, a preferência geralmente é: Leite gelado. E é aí que precisamos da… Geladeira. Enfim, não importa o que a pessoa comer no café da manhã, ela vai utilizar ao menos um aparelho eletrônico. Se não for usar diretamente, vai usar de qualquer outra forma, pois os pacotes de bolacha industrializada que ela for comer não foram embrulhados manualmente. Ah, você não come bolacha industrializada? A maçã, ou seja lá qual for a fruta que você come, foi colhida por máquinas, não foi?

Está preparado para sair de casa, já vestiu a roupa que provavelmente foi lavada em uma máquina de lavar antes de visitar o ferro elétrico. Depois a pessoa entra em seu confortável carro, liga o ar condicionado, e vai ao trabalho como todo dia. Se o carro tiver marcha automática, menos serviço ainda. Se o carro for de marcha manual, impossível sair na quinta marcha.

Carro: “Aqui quem comanda sou eu. Exijo que saia na 1ª marcha. É isso, e ponto. Olha que eu paro e você se atrasa eim…”

Click. A garagem abre. E você sai… Na primeira marcha é claro.

Sinal vermelho, você tem que parar.
O carro dá problema e Drummond mostra que estava certo.

COTA ZERO
Stop. / A vida parou / Ou foi o automóvel?

E o cara logo já pensa: “Oh *ucking vida! Chegarei atrasado no *ucking trabalho.”

Tá aí, confiou muito em seu automóvel, foi dominado pela velocidade e o conforto da máquina, deu nisso. Isso poderia ter acontecido com o despertador também.

É a dependência. Eu mesmo, não sei o que seria de mim, não fosse o ar condicionado, ventilador… Eu não prefiro andar, do que ir de carro a algum lugar. Mas cuidado, as máquinas vão nos dominar. Estamos nos tornando fantoches de nossa própria criação.

O cara passa o resto de seu dia no meio da tecnologia, no meio de máquinas. Se ele for operário de fábrica, máquinas para produção. Se for o proprietário da empresa, ou apenas trabalhar no escritório, computador em uma sala com ar condicionado. O cliente toca a campainha, a pessoa atende o interfone e abre o portão ao clicar em um botão.

Olha em seu relógio, que aliás também é uma máquina e percebe que está na hora do almoço. Ou ele pega a marmita e esquenta no microondas, ou vai ao restaurante, ou vai para casa onde sua mulher ou sua empregada doméstica espera com o almoço quentinho acabado de sair do fogão.

Volta para o trabalho, volta ao computador (ou à sua máquina no caso de ser operário), relógio, ar condicionado. Hora de ir ao banco. Caixa eletrônico, mais máquina, mais tecnologia.

E as máquinas, cada vez melhores. E o trabalho que sobra para o homem? Espera aí, deixe-me procurar. Não sobra quase nada para o ser humano fazer. Vamos a um cruzeiro galáctico de luxo? Vamos! Só por uns cinco anos enquanto as máquinas trabalham e deixam o mundo melhor.

Por Lucas.

O que é ser o/a mais popular da escola?

Sociedade 11 Ociosos Comentaram »

É um tanto aflitivo constatar os “modelos de sucesso” que os jovens, em sua maioria, adotam. Não digo que o que me angustia seja típico dessa geração que nasce “plugada” e conectada à “net”. Se analisarmos o fenômeno a qual me refiro, saberemos que há muito tem sido assim…

O que significa ser o/a mais popular da escola? Parece que para alcançar o “status pop”, a garotada tenha que abdicar de algo mais importante aos olhos do mundo maduro (e nem tanto aos de quem está debutando): o conhecimento.

A necessidade de ser/parecer belo vale qualquer preço. Em 2005, uma pesquisa da MTV com brasileiros de 15 a 30 anos constatou que 350 dos 2359 entrevistados abririam mão de 25% do conhecimento que possuiam para serem 25% mais bonitos. Todos os argumentos são postos: “beleza não se põe à mesa”, “beleza é relativo”, “beleza acaba bom o tempo, conhecimento não envelhece”… Nenhum pareceu forte o bastante para convencer a turma de que “a beleza está nos olhos de quem a vê” e não no reflexo narcisista do nosso próprio espelho.

É tão nítida essa tendência que garotos e garotas, exímios estudantes por toda infância, na adolescência comecem a “abrir mão” do reconhecimento pela competência para serem vistos como os “pops”. Filmes americanos retratam bem essa  questão da inclusão na turma. Meio clichê: paga-se para a garota mais desejada fingir ser namorada (divulgando-se a que “valores” podem ser negociados, pagos), negocia-se com o “bam-bam-bam” do colégio alguma vantagem para que o outro seja um “igual”… Tudo bem, na prática, pelo menos na nossa, pode ser que algo seja diferente, como pode também se mostrar pior…

Para ser aceito, visto, para existir, é necessário ser magro, alto, usar gel ou chapinha, vestir a roupa tal, da marca tal, ser a propria Vênus ou o próprio Apolo. Alguns se esquecem que não estamos no Olimpo, e ninguém pode ser um deus ou uma deusa.

É uma questão que incomoda. Nas lojas o padrão é o p e o pp. As mulheres colocam silicone, mas as roupas não são pra quem “tem peito”. Aliás, o Brasil está entre os campeões em cirurgias plásticas em adolescentes. Viva o perfil bulímico, anoréxico… Temos que ser magros! E belos…

Parece valer tudo para se adequar a esse paradigma de beleza produzido pela mídia enaltecedora dos eventos “Fashion Week”. Quer ter cinturinha de Thalía? Arranque costelas (nem Adão sentiu falta!). Quer turbinar os seios? Silicone! Quer ser Gisele B.? Remédios, lipoaspiração… Juliana Paes? Bronzeamento artificial, e mais bumbum… A beleza está sendo comercializada! Desde muito cedo, no entanto…

As musas renascentistas tinham celulite, eram “robustas”. Não que se faça apologia à obesidade, não é isso, mas trocar inteligência por beleza estética/física? Ah! Daí não dá pra aceitar… Não mesmo…

Por favor, repensemos esse comportamento… Ulisses Tavares, poeta que muito me encanta, já dá o recado: “Moleque, estuda depressa / Porque burro aos 30 / é burro à beça.

Por Andréa.

A internet e seu conteúdo

Internet, Sociedade 18 Ociosos Comentaram »

A importância da internet na vida das pessoas, assim como a sua quantidade e frequência de acessos vem aumentando cada vez mais, neste último século e principalmente no ano de 2008. O número de conectados e o tempo que passam na rede vêm crescendo a cada ano. Esse crecimento, ou essa popularização da internet, pode ser um reflexo da inclusão digital, que tem muitas vezes como conseqüência a dificuldade para selecionar informação confiável, e até tem uma parcela de culpa na “perecibilidade” das informações na internet.

A internet, embora possa ser uma ótima fonte de informação e formação, tem sua falhas e quando junta-se com inclusão digital, é que tem seus defeitos mais à mostra; Corrigindo: O que atrapalha é com certeza a inclusão digital “espontânea”. A comunidade de relacionamentos, “Orkut”, tem vários exemplos de inclusão digital mal aplicada. Existem comunidades no Orkut com nomes do tipo: “Cassado de mulheres enteligete”. O criador pensou em escrever cansado ou caçador? Por favor, ensinem as pessoas ao menos o alfabeto e o básico da escrita para depois incluirem elas na “sociedade digital”. Também existem as comunidades fúteis, as correntes imbecis e os famigerados mitos ou hoaxes, que emburrecem mais que fisiculturismo.

Esse “mundo” é assim, livre; Pode-se considerar isso uma coisa boa, por incluir as pessoas na era digital, por seguir a igualdade de direitos. Mas talvez essa “igualdade de direitos” não seja boa, quando tratamos de publicação de conteúdo na internet, pois essa liberdade que os internautas têm de publicar o que quiserem prejudica as pessoas procurando por informação e bom conteúdo, já que obriga-as a analisar o que há disponível até encontrar algo confiável. Além disso, é extremamente fácil achar na rede quem incentiva o suicídio, promove a pedofilia, incita o racismo, divulga o neonazismo, faz apologia à anorexia, entre outras coisas que formam uma pessoa criminosa ou desiquilibrada. Apesar disso, felizmente temos serviços e sítios, como o iGoogle, o UOL, o How The Stuff Works, o discover, blogs (sobre política, literatura, música, cinema e cultura em geral)…

E o grande pulo da internet é justamente esse: Tem para todos. Dá para ser um imbecil e ficar o dia inteiro no “Kukut” em comunidades de fakes, mandando scraps para seus 93456132791000²¹³³ amigos, dando tapas na bunda da sua amiga no BuddyPoke, ou seja, estuprando e matando seu tempo. Mas um ser com massa encefálica não convertida em musse de água oxigenada pode perfeitamente usar inclusive o Orkut para debater assuntos úteis e trocar opiniões. Também pode ler notícias, se divertir e se manter informado com ajuda da rede.

Quanto a “perecibilidade” da informação, podemos observar que cria-se conteúdo novo em grande quantidade todos os dias, e consequentemente o conteúdo de ontem é considerado velho por demais. “Está estragado”. Mesmo com seus malefícios, a internet é boa, uma vez que com ela, muito mais pessoas passaram a se beneficiar com a informação contida nesse universo digital.

Enfim, a Internet é como uma caneta: com ela pode-se escrever uma obra-prima, criar uma teoria revolucionária ou planejar um design inovador , mas também pode-se engolí-las e morrer ou simplesmente enfiar a dita-cuja no *abo e sentir dor. Ou não.

Por Lucas e Gabriel.

Memórias de Um Alienígena II - O Planeta do Pão e Circo

Capitalismo, Sociedade 5 Ociosos Comentaram »

Para falar bem a verdade, tenho que confessar que havia praticamente abandonado a narrativa de nosso amigo extra-terrestre, mas, como hoje é um dia em que os adeptos da válvula verde acreditam que extraterrestres entraram/entrarão em contato com a Terra hoje, resolvi retomar a saga. Aí vai:

Na Galáxia de Volkingu havia um planeta chamado Brotcirc. Brotcirc é o planeta mais cômico que já visitei. Seu povo tinha tantas particularidades que possuía no mínimo 357 semelhanças com o povo de cada planeta. E o incrível é que, comparando com os seres terrestres, descobre-se que esse povo tinha semelhanças físicas e mentais com a população asinina e com o povo brasileiro.

O povo Brotcircílio era tão convencido que inventou um final gentílico apenas para falar de si mesmo. Também achavam que seu planeta era o melhor do Universo simplesmente porque o clima era supostamente ameno (se comparado a um forno de ferreiro), porque havia lugares que os estrangeiros consideravam naturalmente belos (lugares esses cuja maior atração são mulheres vestidas de uma maneira que seus pais certamente não aprovariam) e porque seu povo é considerado o 24º mais feliz (leia-se se otário) do mundo.

O que esse povo não percebia, porém, é que era alvo de piadas do Universo inteiro. A maioria das piadas era sobre o cientificamente comprovado fato de que a memória desse povo é inferior à de um peixinho dourado sob efeitos colaterais de substâncias entorpecentes.

O povo de Brotcirc obviamente nem ligava para as provocações, pois esquecia-se delas e prostituía sua terra e seu trabalho para os “humoristas”.

Esquecia-se também das agruras que cometiam seus líderes, e os escolhia novamente, o que gerava um círculo vicioso…

Os líderes, escolhidos através da famigerada Dem Ohkra Siya (uma das 375 semelhanças com o povo bovino da Teh! R-áh) eram geralmente filhos, apadrinhados, netos, sobrinhos e etc. dos antigos líderes. O curioso é que virtualmente todos prometem a mudança, que (adivinha!) nunca acontece. Esses supostos líderes, por ironia do dinheiro, não são quem realmente comandam o planeta. Na verdade até poderiam comandar, mas preferem ser manequins e ganhar dinheiro. E quando a Míh Dja (que disputa o poder com os “líderes”, e a tualmente está ganhando) resolve ser “justa” e denuncia os “líderes”, adivinha o que o povo faz?

Fica nervoso, faz passeatinhas inconsequentes, chora na Internet, se cansa… e no mês seguinte se esquece de tudo e volta a comer seua pizza e a assistir seu seriado enlatado americano, porque pão e circo é old.

Por Gabriel.

A Festa Escolar

Outros 9 Ociosos Comentaram »

Assusta-me sobremaneira o papel que a educação formal ocupa na vida de alguns jovens. Não raro nota-se o desinteresse pelos estudos. A escola virou ponto de encontro, “restaurante”, área de lazer, ou seja, tudo que distancie o indivíduo do seu papel essencial: produtora de conhecimento.

Triste constatar tal realidade, mas acontecem todos os dias manifestações sutis desses não-importismo pelo espaço escolar e pelo trabalho que se concretiza (ou deveria ser concretizado) nas instituições de ensino. às vezes, as citadas manifestações nem sutis são, e assemelham-se a um “soco no estômago” daqueles que acreditam (ou acreditavam) na docência como sublime profissão. Se sublime continua sendo… O quotidiano escolar ue não a enaltece como outrora já o fez.

Vê -se aluno que leva MP3 (ou 4, ou 5) para a escola, mas não leva o material escolar. Domina as teclas e tecnologias de um celular última geração, mas não as operações matemáticas básicas ou o funcionamento do próprio idioma. Esse “novo público” conhece toda a vida de Paris Hilton, ou Britney Spears, ou tudo sobre a história do seu time de futebol, mas desconhece a história de sua própria nação, do próprio povo do qual é parte integrante. Essa “clientela” transa sem camisinha, mesmo tendo recebido orientações sobre sexualidade, sobre DSTs, mesmo sabendo que AIDS mata! Vivem numa virtualidade sem fronteiras, mas ignoram os limites geográficos de seu país, são capazes de acreditar que Chile faz fronteira com o Brasil, ou que as fronteiras servem apenas para serem vigiadas para barrar quem traz “muamba” do Paraguai ou impedir a entrada nos EUA. Triste isso… Muito triste.

Engana-se quem pensa que esse é o retrato da escola pública brasileira. Há muitos desses nas escolas privadas do país. Inúmeros…

Há professor que compactua com o caos, há o que se decepciona e se frustra, há quem “abandone o barco” e vai tentar outras carreiras, vai “engrossar” o mundo da competitividade, do “olho por olho, dente por dente”; há, ainda, quem continua lutando, uma luta desigual, desumana e aparentemente sem perspectiva de vitória.

Amanhã é dia do professor… Poucos lembrarão a data, mesmo quem está nos bancos escolares perguntará “Por que amanhã não tem aula?”, ou simplesmente comemorará o dia de ócio permitido e institucionalizado.

Eu também me decepciono algumas vezes, algumas tantas vezes… Como educadora, sonho a escola formativa, que contribua para a vida das crianças e adolescentes, que permita descobertas, que assuma o discurso do sucesso e se distancie desse quadro de fracassos a que somos submetidos todos os dias.

O livro da biblioteca é colocado na mochila e lá permanece até a data da troca. Nylon, Zíperes e linhas não lêem. Cadernos são transformados em bolinhas, em aviões, em espaços para o nada. Livros viaram pesos a serem transportados. Professores, seres a serem suportados (ou odiados)…

Eu quero de volta a escola que meus olhos um dia enxergaram. Não sei se iludida, não sei se ideal, mas a escola em que a linguagem é a do entendimento e o resultado do trabalho reflita um povo mais consciente, participativo e mais realizado.

Quiçá não esteja distante o ideal, ou sonho, ora transcrito. Que seja possível, realizável… Que se concretize e permaneça!

Por Andréa.

Quer receber “O Mesmo” totalmente de graça?

Outros 69 Ociosos Comentaram »

Na última quinta feira publiquei uma análise do livro de Marcelo Costa Conde que recebi em minha casa. O livro é REALMENTE bom.

Conversando com o generoso Marcelo, ele ofereceu três livros para que o Ócio Produtivo sorteasse entre os leitores. Resolvemos colocar dois em um concurso e outro em um sorteio. Você que quer participar do concurso veja detalhes aqui.

Você que não quer responder à pergunta, seja por vergonha, falta de criatividade, ou medo de escrever alguma coisa ridícula, pode participar do sorteio, e para isso, basta você fazer UM comentário nesse post e automaticamente você estará participando do sorteio. Peço que coloquem um e-mail válido no comentário para que possamos contatá-lo caso seja sorteado.

Enfim, boa sorte a todos.

Lucas.

Pelo direito de ser criança

Capitalismo, Sociedade 9 Ociosos Comentaram »

Estamos chegando perto do Dia das Crianças. E, aproveitando a data, nada melhor que um post especial sobre os mais adoráveis seres deste Universo. Se bem que a criança do jeito tradicional e inocente que conhecemos está cada vez mais rara. As crianças não têm mais o direito de serem crianças!

Há alguns (muitos) as crianças eram alfabetizadas com 7-8 anos. Hoje em dia estão começando a ir para a escola com 3-4, fora as aulas de inglês, balé, francês, informática… as crianças não estão tendo mais tempo para brincar, para ter liberdade!

Me responda: você já…

a) Quebrou o braço

b) Deu pontos em alguma parte do corpo

c) Brincou na lama

d) Brigou de soco com um amigo e voltou a brincar com ele no mesmo dia

e) Subiu numa árvore

f) Brincou de esconde-esconde

g) Brincou de casinha ou de soldadinho?

Se você não respondeu pelo menos dois “sim”, você não teve infância, o que eu duvido que tenha acontecido. Agora repare nas crianças que você conhece hoje: muitas mal tem tempo para brincar, estão cheias de responsabilidades escolares, estão sendo criadas para competir para o mercado de trabalho, não para viver.

Crianças não são adultos em miniatura

Não estou sendo retrógrado, sei que no passado muitas crianças trabalhavam e tals, mas hoje elas estudam. E garanto que estudar é muito mais estressante para uma criança. Duvido que alguma vai dormir pensando com a cana a ser cortada no dia seguinte. Acho mais fácil não conseguir dormir porque não deu tempo de fazer o trabalho de Inglês.
E as diversões das crianças? Videogames, Barbies, carrinhos hiper-realista…

Não que sejam más diversões, mas a infância é onde se desenvolve resistência e se desabrocha a imaginação! Para ter uma boa infância, se quebrar é essencial, imaginar, também. Ainda falando sobre os brinquedos, muitas meninas também são contaminadas pelas Barbies e perdem o conceito de vida simples, brincando de casinha com bonecas bebês: as Barbies usam roupas curtas, são magras, têm seios fartos, vivem de roupa de grife e não dispensam celulares, além de dar pra qualquer um.

Que conceitos as Barbies ensinam para as meninas?

Nesse Dia das Crianças, dê uma boneca de pano.

Por Gabriel

WP Theme & Icons by N.Design Studio
Entries RSS Comments RSS Login